Pular para o conteúdo

Gestão comercial · Guia · 5 min de leitura

Como comissionar o SDR: critérios, armadilhas e três modelos

O que pagar, as regras que evitam briga com vendas e três modelos de comissão para adaptar, com um revisor que aponta os riscos do seu plano atual.

Fechamento do mês. O SDR conta 24 reuniões; o vendedor diz que só 15 valeram; o gestor tenta lembrar o que foi combinado em março. Ninguém está mentindo: a regra é que nunca foi escrita. Comissão de SDR raramente dá briga pelo valor. Dá briga pela definição.

Este guia organiza o que pagar, as regras que evitam disputa com vendas e três modelos para adaptar. Mais abaixo, um revisor aponta os riscos do plano que a sua empresa usa hoje. Para testar valores e cenários, use o simulador de remuneração do SDR.

O que pagar

O variável precisa cair num ponto que o SDR influencia de verdade e que tenha valor para o negócio. Reunião marcada é cedo demais: paga a promessa, não a conversa. Venda fechada é tarde demais: depende do vendedor, do preço e do ciclo, e o SDR pode receber meses depois. O ponto de equilíbrio costuma ser a reunião realizada e aceita pelo vendedor, às vezes com uma parte ligada à oportunidade ou à venda.

Cinco regras que evitam briga com vendas

  1. Critério de reunião válida por escrito. Por exemplo: empresa dentro do ICP, decisor ou influenciador presente, conversa que de fato aconteceu e resumo registrado no CRM antes da reunião.
  2. Quem recebe a reunião valida. O vendedor aceita ou recusa no CRM em até dois dias úteis, com o motivo escolhido numa lista curta. Passou o prazo sem resposta, vale como aceita.
  3. Remarcação e falta têm regra. Reunião remarcada conta no mês em que acontecer. Falta do decisor não conta.
  4. Posse da conta definida. Quem iniciou a cadência fica com a conta por um prazo combinado, como 90 dias. Isso evita duas pessoas na mesma empresa e pagamento em dobro.
  5. Mudança só no mês seguinte. Ajuste de regra ou de valor vale a partir do próximo mês, comunicado por escrito.

Três modelos para adaptar

Os valores são ilustrativos e servem para mostrar a mecânica. Nos três, um mês na meta (20 reuniões aceitas, 10 oportunidades e uma venda) paga R$ 1.600 de variável; com um fixo de R$ 3.000, isso dá cerca de 35% do total. O que muda entre eles é o comportamento que cada um estimula.

ModeloComo pagaNa metaQuando usar
1. Reunião aceitaValor por reunião realizada e aceita; acima da meta, cada reunião vale 50% a mais20 × R$ 80 = R$ 1.600Primeiro SDR e times em formação: simples de explicar e de conferir
2. Reunião e oportunidadeUma parte por reunião aceita e outra por oportunidade que passa do diagnóstico20 × R$ 50 + 10 × R$ 60 = R$ 1.600Quando SDR e vendedor precisam olhar para a mesma qualidade
3. Faixas e bônus por vendaVariável-alvo pago por faixa de atingimento da cota, mais um bônus por venda originada, pago depois do primeiro pagamento do clienteR$ 1.400 da faixa + 1 venda × R$ 200 = R$ 1.600Times maduros, com ciclo curto e taxas estáveis

No modelo 3, uma régua possível: abaixo de 70% da cota, sem variável de faixa; de 70% a 99%, metade do alvo; de 100% a 119%, o alvo cheio; a partir de 120%, 130% do alvo. Faixa simplifica a conta, mas cria degrau: quem está em 68% no dia 28 tem um motivo enorme para empurrar reunião fraca. Degraus menores reduzem esse efeito.

Quatro armadilhas para evitar

  • Pagar por atividade. Ligação e e-mail são indicadores de rotina. Pagar por eles compra volume, e volume sozinho não marca reunião.
  • Acelerador sem filtro de qualidade. Bônus alto por reunião extra, sem aceite, enche a agenda do vendedor de conversa que não vira oportunidade.
  • Rampa com cota cheia. Quem chegou há um mês não entrega o mesmo que um veterano. Use meta reduzida nos primeiros meses, como 25%, 50% e 75%, ou um piso de variável no primeiro mês.
  • Esquecer o custo trabalhista. Comissão integra a remuneração e reflete no descanso semanal remunerado (DSR), no 13º, nas férias, no FGTS e no INSS. Valide o desenho com o contador e o jurídico antes de apresentar ao time.

Revise o plano que vocês usam hoje

Responda pensando no plano como ele funciona na prática, não como está no papel. O revisor lista os riscos do mais grave para o mais leve, com o ajuste de cada um.

1. Sobre o que o variável é calculado?
2. O critério de reunião válida está escrito?
3. Quem confirma que a reunião vale?
4. Na meta, quanto do ganho total é variável?
5. Quem está em rampa tem meta ou variável próprios?
6. Alguma regra mudou no meio de um mês nos últimos seis meses?
7. Está escrito quem fica com a conta quando dois SDRs chegam nela?
8. Se o cliente cancela cedo, o que acontece com a parte da venda?
9. O SDR acompanha o próprio variável durante o mês?
10. Acima da meta, existe acelerador?

Responda às perguntas para ver os riscos do seu plano.

    Plano revisado pede uma carteira que sustente a cota todo mês. Um especialista mostra quantas empresas do seu ICP existem por região e setor.

    Conversar sobre a carteira do time

    Revisão orientativa, não parecer trabalhista. As respostas ficam no seu navegador; registramos só a base do variável e a contagem de riscos.

    Próximo passo

    Regra escrita pede uma cota justa por trás: o guia de metas e cotas de prospecção mostra como desdobrar a meta por pessoa, com rampa e dias fora. Se a vaga ainda vai abrir, o onboarding de SDR em 30 dias organiza o primeiro mês, que é quando a regra de rampa mais pesa.

    E então, quer ver isso aplicado à sua empresa?

    Numa conversa rápida, um especialista da Speedio mostra as empresas do seu ICP, com os decisores mapeados e os contatos disponíveis, prontas para entrar na sua cadência.

    Continue por aqui

    Ver todos os conteúdos

    Pronto para ver na prática?

    Falar com especialista Ver a ferramenta